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02 de Dezembro de 2009, às 00:33
Escrito por: globo.com publicado em 21/11/2009
portal: globo.com
Projeto exibe o filme “A Vida dos Outros”; cidadã alemã naturalizada brasileira fala sobre experiência em uma Alemanha divida.
Do In360
Em comemoração aos 20 anos da queda do Muro de Berlim, o projeto “Direito na Tela”, do Núcleo de Estudos Avançados (NEA) da Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce (Fadivale), exibe o filme “A Vida dos Outros”, no auditório da instituição, neste sábado, às 19h30, em Governador Valadares.
O longa conta a vida do maior dramaturgo da Alemanha Oriental, George Dreyman, que é vigiado 24 horas pelo regime socialista mesmo quando não apresentava ou escrevia qualquer obra contra o governo.
Rosângelo Rodrigues de Miranda, promotor de Justiça e também professor da disciplina de Direito Constitucional da faculdade, organizou o encontro e explica que a intenção é abordar temas jurídicos de uma forma mais lúdica, além de colocar em pauta a evolução dos processos democráticos ao longo dos anos. “Precisamos retratar que as liberdades só são conquistadas com eterna vigilância. A tendência das pessoas é acreditar que o passado está morrendo, ou não tem influência sobre a atualidade, o que não é verdade”, disse.
Após a exibição do filme, haverá uma mesa redonda para discutir o roteiro de Florian Henckel von Donnersmarck e suas implicações na rotina do século XXI. Antes disso, a cidadã alemã naturalizada no Brasil, Bärbel Henk, fará uma palestra detalhando o contexto político da construção do Muro de Berlim e as conseqüências nos desdobramentos da reunificação germânica. O evento é gratuito e aberto ao público em geral.
A história de quem viveu o Muro de Berlim
Uma das coisas de que Bärbel Henk, palestrante da noite, se lembra com maior clareza de sua chegada ao Brasil, em 3 de janeiro de 1987, é da brusca mudança de clima. Ela havia saído de Colônia num frio abaixo de 0º e pousado na América do Sul em um verão de sol estridente. Mas a psicanalista e professora de alemão também havia deixado para trás um país dividido em dois extremos (Socialistas e Capitalistas) para ver um outro permutado em culturas diferentes e participar de uma missão de cooperação internacional da Alemanha.
Em Recife, no Pernambuco, Henk fez um mês de aulas de Português e logo partiu para o Leste de Minas Gerais, em Nanuque, de onde se mudou para Jampruca e permanece até hoje com o marido e a filha.
A jovem alemã, àquela época, não fazia idéia de que o Muro de Berlim, por onde tinha passado diversas vezes, cairia dois anos depois, em 1989, simbolizando o fim da Guerra Fria. “Eu falei ‘não acredito’. Era inacreditável. Foi a reação geral das pessoas”, conta Henk, que recebeu a notícia num dia qualquer, por intermédio de colegas porque não existia telefone na cidade em que ela estava.
Quando ia visitar amigos no lado ocidental de Berlim, a professora revelou ao In360 que passava por pontos específicos de parada para comer e abastecer, definidos pelo governo do bloco socialista. Além disso, o esquema de revista das pessoas era implacável. Bagagens eram reviradas e oficiais armados ficavam nas divisas do muro para evitar tentativas de fuga. “O estresse era muito grande. Pessoas, inclusive, morriam de infarto por causa disso”, afirma Bärbel.
Com a reunificação, a Alemanha, segundo Henk, deu início a um processo de redemocratização que ainda não teve fim. Há diferenças culturais, políticas, e até cidadãos germânicos que jamais pisaram na Berlim oriental.
“E o que eu mais respeito na história dos alemães ocidentais é que eles acharam pequenas soluções de resistência. Mas o que eles têm a ensinar também é o fracasso. Então me pergunto: será que nós vamos sobreviver ao fracasso do capitalismo?”, analisa a psicanalista, preocupada com os rumos da política internacional. Ela avalia ainda que, atualmente, um dos principais muros que dividem as nações é a aversão aos imigrantes.
Para a noite deste sábado, Bärbel preparou uma série de slides e vai mostrar ao público várias histórias subjacentes à queda e construção do Muro de Berlim. “As pessoas não podem perder o envolvimento nas lutas coletivas”, complementa.
Professor Rosângelo e Professora Bárbara
O Projeto Direito na Tela agradece a todos a participação e o convívio fraterno, em particular a Prof. Bárbara pela sua dedicação e sua liberalidade em nos repassar sua experiência de vida como cidadão alemã que sentiu de perto os fatos relacionados com a queda do muro de Berlin, e aproveita o ensejo para convidar a todos para ano próximo estarmos juntos novamente para cultuar o Cinema e o Direito.