Em 1745, o rei Frederico II da Prússia, ao olhar pelas janelas de seu recém-construído palácio de verão, não podia contemplar integralmente a bela paisagem que o cercava. Um moinho velho, de propriedade de seu vizinho, atrapalhava sua visão. Orientado por seus ministros, o rei ordenou: destruam o moinho!
O simples moleiro (dono de moinho) de Sans-soussi não aceitou a ordem do soberano.
O rei, com toda a sua autoridade, dirigiu-se ao moleiro: Você sabe quem eu sou? Eu sou o rei e ordenei a destruição do moinho!
O moleiro respondeu não pretender demolir o seu moinho, com o que o rei soberano redargüiu: Você não está entendendo: eu sou o rei e poderia, com minha autoridade, confiscar sua fazenda, sem indenização!
Com muita tranqüilidade, o moleiro respondeu: Vossa Alteza é que não entendeu: ainda há juízes em Berlim!
Trazendo este belo exemplo de cidadania e resistência ao imotivado que é a história do moleiro de Berlim para o campo do ensino jurídico, ele pode nos servir de esteio para algumas reflexões. De fato, a todo momento, na quadra brasileira, tem sido possível encontrar posições céticas tanto em relação ao grau de interesse, quanto em relação à qualidade da formação de base dos alunos das escolas jurídicas. Debitam-se os baixos índices de aprovação nos exames da OAB e nos concursos públicos as estas “verdades” não deglutidas, como se todos e a todos a realidade impusesse um destino comum, qual seja, o fracasso prévio advindo de um passado de ensino de base ruim, e um futuro não menos nebuloso derivado de um ensino que teimaria em se repetir como não formador.
Ora, a simples presença de mais de 400 alunos nesta noite de quarta-feira para a palestra que deu início ao SEMEJUR, evento promovido pelos estudantes e realizado na FADIVALE, cujo objetivo é o debate de idéias no campo do Direito, é um exemplo de que as ditas verdades incontestáveis da falta de interesse e da falta de preparo do estudante de Direito não são verdades tão evidentes. Com efeito, durante a brilhante palestra da Professora Nathália Masson, os alunos tiveram participação ativa, tanto quantitativamente quanto qualitativamente. Foram inúmeras as perguntas formuladas pelos alunos à palestrante e todas com grande pertinência temática e com força de conteúdo. Assim, a marcante participação dos alunos desmistifica e deslegitima, quanto satis, os argumentos que teimam em apontar, entre nós, a falência completa e irremediável do ensino jurídico.
Deste modo, elogiando não apenas a iniciativa do Diretório Acadêmico Alberto Deodato, mas também elogiando a ilustre palestrante Professora Nathália Masson, concluo dizendo que, longe de ser acaciana, a afirmação de que a presença atuante e em tão grande número dos alunos no SEMEJUR desta quarta-feira, permite asseverar, parodiando o moleiro, que AINDA HÁ ESTUDANTES EM BERLIM! Que estes continuem a colher e plantar a justa medida de seus saberes jurídicos em eventos como os de ontem à noite e que o SEMEJUR tenha vida longa.
Governador Valadares, 02/04/2009
Dia Internacional do Livro Infantil
Mensagem do IBBY. (International Board on Books for Young People)
Eu sou o mundo
Eu sou o mundo e o mundo sou eu,
porque, com o meu livro,
posso ser tudo o que quiser.
Palavras e imagens, verso e prosa
levam-me a lugares a um tempo próximos e distantes.
Na terra dos sultões e do ouro,
há mil histórias a descobrir.
Tapetes voadores, lâmpadas mágicas,
gênios, vampiros e Sindbades
contam os seus segredos a Xerazade.
Com cada palavra de cada página
viajo pelo tempo e pelo espaço
e, nas asas da fantasia,
o meu espírito atravessa terra e mar.
Quanto mais leio mais compreendo
que com o meu livro
estarei sempre
na melhor das companhias.
Hani D. El-Masri |